Texto publicado em julho/2020 (fregablog.blogspot.com), mas com ainda alguma atualidade.
Da mesma forma, seu objetivo deixou de ser a defesa dos interesses do Soberano e adquiriu o conceito de defesa nacional, ou de seus interesses definidos pelos seus governantes.
No mundo globalizado e cada vez mais assimétrico na capacidade bélica, este conceito está sendo alterado rapidamente, ninguém consegue ainda vislumbrar exatamente em que se transformará.
São forças com poder muito limitado de defesa de agressões externas promovidas exclusivamente por outros países fronteiriços do mesmo nível.
Seu poder é local.
Seu poder é regional.
Seu poder pode ser exercido contra países não fronteiriços, inclusive intercontinentais.
Nesse seleto grupo despontam os USA, como maior potência militar, a Rússia, a China.
Neles, tal como no grupo anterior, as forças armadas não interferem no poder civil.
Em qual nível estaria o Brasil? No grupo 2.
Por essa razão é tão importante para nós a integração regional, também definida como princípio fundamental em nossa Constituição. A desarmonia com nossos vizinhos fronteiriços seria a única possibilidade de guerra viável, não assimétrica. Com fronteiras definidas e pacificadas, a integração regional é nossa garantia de paz imediata.
O orçamento do Ministério da Defesa se manteve na ordem de R$ 100 bilhões entre 2010 e 2018, chegando a um mínimo de R$ 69 bilhões em 2018 e R$ 70,1 previstos para 2020, nível semelhante ao de 2006.
A proposta elevaria o montante para pouco mais de R$ 140 bilhões. O argumento é nos prepararmos contra intervenções externas.
E contra os do grupo 3 e 4?
É de se considerar também que, no nosso caso, esse orçamento inclui os gastos com pessoal e pensões, esses sensivelmente majorados em 2019 e em 2020, como pretendido. Não tenho elementos para afirmar que nos demais países também se incluam naqueles valores os salários, pensões e outros penduricalhos tão nossos.
Enfim, sair do patamar atual de 70 para o pretendido 140 não nos incluiria no grupo 3.
Armas nucleares só têm sentido se houver possibilidade de logística para seu uso.Por esse motivo, os Estados Unidos não as utilizou contra a Coréia, apesar da vontade de McArthur, pois a Rússia já dominava também a tecnologia e teria áreas populosas do território estadunidense a seu alcance, diferentemente dos próprios Estados Unidos que não teria raio de alcance suficiente para lançar em áreas estratégicas estadunidenses.
O aperfeiçoamento de mísseis balísticos, além dos de cruzeiro, não significou uma vantagem isolada, pois ambas as potências mantiveram-se equivalentes. A corrida espacial também não os diferenciou sensivelmente.
E nós? Ainda que dispuséssemos da tecnologia, o que até estava a caminho antes do golpe geopolítico de 2016, teríamos alguma vantagem em ter um arsenal nuclear?
Decididamente não!
Só teríamos possibilidade de lançá-lo contra nós mesmos, em nosso território, ou no máximo contra algum vizinho, o que seria também um suicídio.
De forma alguma impediria, ou inibiria, uma ação do grupo 3 ou 4 contra nós.
Interesses do grupo 3 ou 4?
Em parte, sim, mas com nosso poderio bélico, não sustentaríamos qualquer combate por mais de 15 dias, e com uma destruição impensável.
Além do mais, os interesses desses grupos foram atendidos sem disparar um tiro.
Com ainda poucas exceções, TODAS nossas riquezas minerais estão em suas mãos, exploram o quanto queiram delas e a parte que nos toca nem sequer cobrem os danos ambientais permanentes que nos deixam. Além, claro, de nos garantir as divisas que nos permitem comprar deles próprios os produtos industrializados e com maior tecnologia.
Ou, quem sabe, imaginarmos ter força suficiente para o plano de passar a boiada, de destruir a Amazônia e transformá-la em pastagem e soja pela legalização das grilagens?
Sim, destruir a floresta tropical representa uma ameaça global e que pode sofrer represálias. Enquanto a preservarmos, não estaremos ameaçados, mas só enquanto a preservarmos. Isso porque impacta globalmente no clima, apesar do negacionismo que parece ter se consolidado nestas terras tupiniquins.
Se continuarmos com esse pensamento, sinto muito. A Amazônia será ocupada, pouco importa se nosso orçamento de defesa é de 1,3% ou de 2%. Não há qualquer possibilidade de reação, pela assimetria de forças. Ainda que tenhamos uma tropa de selva bem qualificada. É irrelevante sem suprimentos.
Volto a Sun Tzu.
Quem sabe enfiemos a arrogância ufanista no devido escaninho e entendamos que nosso poder nacional não nos garantirá a Amazônia, mas que dela teremos a posse e soberania somente se cuidarmos bem dela.

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