Falta pouco, menos de duas semanas e começa a se formar uma onda que pode trazer a decisão para o 1o turno, liquidar a fatura, enterrar precocemente movimentos golpistas e sectários, retornar a alguma normalidade no caminho da consolidação democrática.
Não é fácil, afinal foram quatro anos de ataques constantes, às instituições,
às pessoas, à divergência e diversidade, num processo iniciado há oito com o
golpe político-judicial-militar de 2016.
Ainda que não poucas vezes os dardos as tenham atingido, fazendo-as cambalear
pela força do impacto, elas resistiram. Mostraram-se uma rede de proteção
razoavelmente confiável, ainda que as Forças Armadas não tenham entendido ainda
completamente seu papel num Estado Democrático de Direito.
Sério, o Brasil emerge muito pior do que o Brasil que
enveredou por essa aventura. Talvez, só talvez, esses quatro anos de desmandos
e agressões tenham sido o estertor de um século e meio de instabilidades, a
prova final. A incorporação de que ditaduras, nunca mais mesmo!!!
É tempo de lamber as feridas, sairemos machucados dessa
refrega, lanhos, arranhões, estocadas. Pontos, muitos pontos, suturas e
cicatrizes. Porém, vivos e mais sábios.
Sabedoria, aliás, fundamental para não embarcar no
imediatismo, não entender a vitória eleitoral como definitiva e resolutória.
Não, é somente um pré-requisito, uma pré-condição para iniciar o reencarrilamento,
voltar aos trilhos, ajustar os rumos.
Porque passado não se revive, por isso é passado. Não serve pra outra coisa além
de recordação e aprendizado. Ninguém planeja seu passado, como também ninguém
escreve a história que ainda não aconteceu.
Nada será simples, fácil e imediato. Como nada será perfeito e inevitavelmente
ficará aquém das expectativas, pois perfeição não existe. Vivemos num mundo
real, não das idéias. Estas só servem para sinalizar, para desenhar o mundo que
idealmente gostaríamos de viver.
Muito trabalho e tempo serão dispendidos para recomeçar,
reconstruir, redefinir. É trabalho de gigantes, coletivo, de todos nós. Há
minas que precisam ser desarmadas, bombas de retardo prestes a explodir,
armadilhas de toda ordem a serem evitadas e inativadas.
Não haverá soluções fáceis e mágicas, daquelas de estalar os dedos.
Essa é a única certeza.
(continua em
https://blogdopensamentocritico.blogspot.com/2022/09/2023-parte-ii-o-terreno- armadilhado-por.html )

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