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Juízo!!! (por Roberto Garcia)


Nestas vésperas de eleição, quando está faltando tão pouco, para um resultado que pode nos livrar do Jair Messias, tem ainda muita gente com dúvida cruel. Percebem que o atual governo é ruim, querem se livrar dele. Ainda estão agarrados aos seus candidatos, que julgam melhores, os mais perfeitos. Como não são cegos, eles também veem as pesquisas. Não gostam delas. Detestam.
Desconfiam, acham que tem fraude, ou que pode haver uma virada de última hora, que os coloque no topo.
Não é fácil para eles essa situação. Os que estamos de fora, muitas vezes percebemos a angústia. Mas já decidimos pelo que está na liderança. Mesmo admitindo que ele não é perfeito, decidimos que ele é a melhor alternativa. É ele ou o caos.
Mas olhamos os outros eleitores que ainda se debatem. Que não se conformam com alguém que já fez erros, deu muitas mancadas, permitiu, vendo ou sem ver, que as elites deste país continuassem abusando, como fazem desde o começo, lá atrás. Muitas das reclamações são justas.
É nesse contexto que as discussões ocorrem. Uma parte desses eleitores da terceira via já debandou. Os mais progressistas foram para o Lula os mais conservadores foram para o Jair. Alguns estão ainda em cima do muro. Não são uma multidão. Mas podem chegar a dois, três, quatro por cento. Exatamente o que será necessário para garantir a vitória no primeiro turno.
Eles podem ser o voto útil, dado pelos que preferem outros candidatos mas sabem que não tem chance. Seria desperdiçar voto essencial.
É importante entender as razões da insistência numa decisão deles. Lembremos que Jair até agora não se conformou em passar a faixa presidencial. Ele tentou um golpe, mobiliza policiais e o exército para isso, questiona as urnas eletrônicas, estimula seus seguidores a falar em fechamento do Congresso, do Supremo Tribunal, acabou com a harmonia entre os poderes da República, não pára de fazer motociatas irresponsáveis, coisa de fascista, já deixou claro que se puder não entrega e está acabado.
Se a decisão não ocorre no primeiro turno, os quase trinta dias seguintes serão de grande confusão. Jair vai abusar, seus seguidores vão fazer anarquia, vai ter troca de tiros, mortes, intimidação, sublevação de cidades e estados. Tudo estará incluído no receituário do golpe. É improvável o seu sucesso. Mas isso pode marcar o período, envenenar o próximo governo, criar centros de resistência nas áreas em que ele é forte -- como no Rio de Janeiro -- dificultar as negociações importantíssimas logo em seguida, para a eleição da Mesa da Câmara de Deputados e do Senado, até a formação do ministério.
Obviamente, convencer mais eleitores sem qualquer compromisso com os candidatos da terceira via será até mais importante. Da mesma forma que tirar votos de Jair. Ele continua a fazer erros grosseiros, vários tiros no próprio pé. O corte nas verbas da farmácia popular, que beneficia exclusivamente os mais pobres, foi um deles. A insensibilidade da equipe de Jair, de seu ministro da Economia, ficou mais uma vez demonstrada. Apesar de tudo, eles estão se lixando, não conseguem e nem querem acertar. Aproveitar o Sete de Setembro para lucrar eleitoralmente, até o comício eleitoral em Londres, onde foi participar das homenagens à rainha morta foram apenas outros foras, sinais de incompetência. Isso mostra o que ele é capaz de fazer.
A transição tranquila importa ao Brasil. A confusão é importante para Jair. Ele segue a cartilha de Donald Trump, que tentou impedir a posse do Biden, tenta assumir o controle do partido de oposição nos Estados Unidos, os Republicanos, usa os que nomeou para a Suprema Corte para enfraquecer a governança do país.
Esse é o programa de Jair e aliados. Não interessa ao resto do Brasil, que precisa de paz e serenidade.
Como todos já perceberam, embora essenciais, as eleições são a primeira fase de um processo. Tem a posse, a formação do ministério, as primeiras medidas para assegurar uma boa impressão inicial na população, neutralizar a oposição de Jair Messias e o governo que terá de deslanchar vasto programa de desenvolvimento. Cada uma dessas coisas é essencial.
Um perigo grande será o messianismo. Achar que com sua experiência, visão mais ampla, Lula vai poder fazer milagres. Não vai ser assim. Cada passo será complexo, uma ladeira íngreme, às vezes uma tourada. O país vai voltar a buscar seu destino de forma mais tranquila, mas os obstáculos serão constantes. As circunstâncias internacionais sempre facilitam ou dificultam, são importantes.
Se tiver a ajuda e apoio dos candidatos da terceira via, muito melhor. Essa é a batalha agora. Muita habilidade é indispensável. O pior que pode acontecer é arrogância, a atitude do "já ganhou". Juízo é sempre importante. Nestas horas, ainda mais.

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