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Controlem as Armas, Não as Urnas (por Frega Jr)

Vejo constantemente a pergunta de pra que serve o Exército.
Eu até entendo, afinal seus comandantes participaram do golpe parlamentar em 2016 e assumiram de fato o governo em 2019.
O desastre que atravessamos é de sua responsabilidade direta e naturalmente cobra um preço.
A corporação passa a ser contestada por desnecessidade.
Toma corpo a sensação de que não seria somente inútil, mas com inutilidade perigosa.
Eu não compartilho dessa opinião.
É injusta. Explico.
Pode-se falar realmente em exército brasileiro a partir da Guerra do Paraguai. Antes disso havia tropas provinciais e sob comando dos presidentes das Províncias.
Sim, havia alguns oficiais formados na Real Academia, mas isso não faz um exército. Atuaram principalmente na pacificação do Império e foram bastante responsáveis pela manutenção da integridade territorial.
Claro, há uma ficção de que o Exército teria nascido em Guararapes. Carochinha pura, bem Brasil existia e a luta foi em favor do colonizador, não por independência. É que gostam de estabelecimento, nada a ver.
Foram responsáveis pelo golpe republicano e pelos maiores genocídios registrados, Canudos e Contestado.
O primeiro por pura e absoluta covardia contra um povo miserável e fanático.
O segundo contra um povo que simplesmente defendia suas terras contra a negociata que lhes esbulho em favor da ferrovia.
estrangeira.
É verdade que em ambos os casos estavam a serviço dos interesses dos poderosos.
Também é verdade que a tão falada luta contra o nazifascismo foi um arrego geopolítico periférico e subalterno. Ainda assim, há atos de bravura pessoal admiráveis.
Pois bem.
Na história mais recente, a par de sua politização exacerbada e sua autoestima hipertrofiada, causadora de instabilidades e golpes, alguns até com vergonhosas torturas e execuções, é preciso reconhecer que a sua presença na Amazônia, especialmente, trouxe enormes benefícios às populações desassistidas e foi a única presença do estado brasileiro em muitos locais.
Ponto pro Exército.
Há mais de século nossas fronteiras são aceitas e consolidadas. Não há disputas territoriais.
Por outro lado, as ameaças mudaram sua escala. Não temos a menor possibilidade de defesa militar a um ataque das potências globais. Nossa defesa única é que continuem a nos ver como fator de estabilidade e equilíbrio regional.
Na boa.
Então o Exército - as Forças,Armadas como um todo - não são desnecessárias. Ao contrário. Delas precisamos principalmente como guardas fronteiriças terrestres, aquáticas, aéreas.
As novas ameaças não são por exércitos estrangeiros, nas pelo crime organizado, armado, influente e milionário.
Se fizerem isso estarão bem pagos. Desde que parem de querer se meter em política.
Controlem as armas, não as urnas.

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