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Crime Incentivado (por FregaJr)

Uma das facetas mais criminosas desse governo desastroso é o desrespeito às reservas naturais e às indígenas.

As áreas indígenas estão definidas no art 231 § 1° da Constituição Federal. São bens pertencentes à União e, por possuírem destinação específica, classificados como bens de uso especial. Na qualidade de bens públicos de uso especial, são inalienáveis enquanto conservarem sua qualificação. Ou seja, nem a União pode vendê-los ou aliená-los sem que anteriormente haja desqualificação, na forma da lei.

Também são bens da União (CF art 20 IX) os recursos minerais, inclusive os do subsolo. No art 176 (EC 6/95) reforça o conceito de que as jazidas constituem propriedade distinta da do solo e pertence à União. Destaco:
a – é garantida ao concessionário da exploração a propriedade do produto da lavra
b – é assegurada participação ao proprietário do solo nos resultados da lavra, e
c- a pesquisa e lavra somente poderão ser efetuados mediante autorização ou concessão da União na interesse nacional e a lei estabelecerá condições específicas quando as atividades ocorrerem em terras indígenas ou em faixas de fronteira.

Pois bem. É uma corrente de pensamento nos estamentos mais antigos do Exército de que a presença de garimpeiros assegura a posse das terras fronteiriças. Dificilmente poderia haver um pensamento mais equivocado, e isso sem considerar que, como agentes públicos, pior, responsáveis pela defesa territorial, estariam sendo cúmplices da violação da própria Constituição.
Mas são useiros e vezeiros em interpretações viciadas das leis.
E exatamente por isso o governo dos marechais não apenas fecham os olhos, mas incentivam e protegem a mineração por garimpeiros ilegais, tanto nas faixas de fronteira como em reservas indígenas.
Acontece que os garimpos ilegais ainda promovem o furto das riquezas nacionais. Senão vejamos.
As riquezas minerais, tanto no solo como no subsolo, são de propriedade da União.
Quem é a União, afinal?
Numa simplificação até de certa forma grosseira, podemos considerar um povo o conjunto de indivíduos com afinidades culturais e de costumes, com vínculos individuais e interesses coletivos.
Quando a esse povo se agrega um território, circunscrito e por ele ocupado com habitualidade e permanência, temos uma Nação. Uma Nação pode ser o somatório de povos afins, ainda que em grupos isolados dentro do mesmo território circunscrito. Essa afinidade se verifica pela língua, costumes, crenças, práticas e autorreconhecimento.
Quando uma Nação, ou um conjunto delas com territórios limítrofes formam uma união para estabelecer as condições de convívio, governança e regras sociais a todos e esse conjunto passa a ser reconhecido externamente como um ente, Têm-se o Estado. Estado, portanto, é a Nação, ou conjunto delas, politicamente organizado, com um território comum e reconhecido como tal pelos demais entes politicamente organizados extra território.
União, portanto, é o estado, ou a união das Nações que o compõem.
A pedra fundamental é o povo que o compõe, o território em que habita, as instituições que pactua.
Um bem da União, portanto, é bem do povo que a compõe. Não por outro motivo esses bens são chamados de Bens Públicos (publicus (lat) relativo a populus, povo).
Quando alguém, retira uma riqueza do subsolo em desobediência ao disposto na Constituição e na legislação infraconstitucional, simplesmente a está furtando do povo. De mim e do leitor. Do vizinho do leitor e até de quem não lê.

Quando um garimpeiro ilegal, e pior, isso está sendo incentivado e protegido, retira uma riqueza na flor da terra, no leito de um rio ou em uma lavra, está furtando um bem de todos nós.
Quando isso se faz em uma reserva indígena, há um duplo furto. Da riqueza mineral e do dono do solo, ou seja a União.
E quando essa extração ainda causa dano ambiental, e em cem porcento dos casos causa, esse dano é o prejuízo maior a todos nós. É um crime continuado, envenena os povos, seus alimentos. Mata rios e nascentes, matas e infertiliza terras.

Quem pactua com isso, protege, incentiva, passa a boiada no jargão governamental, comete crime de traição, muito além em gravidade do que qualquer furto, de que qualquer corrupção de sociedades isoladas.
Sim. Há marechais traidores.

https://noticias.uol.com.br/colunas/carlos-madeiro/2022/09/06/garimpo-do-ouro-dobra-com-bolsonaro-em-ataques-a-terra-yanomami-diz-estudo.htm

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