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2023 Parte III – Pra Começo de Conversa (por frega Jr)

  O Projeto de Lei Orçamentária para 2023, encaminhado pelo Executivo ao Congresso, dá a idéia da dimensão do caos programado para 2023. O Brasil de 2023 é um Brasil mais carente do que o de anos anteriores. Foram sete anos de destruição. Os primeiros três na tal Ponte para o Futuro, a guinada neoliberal ponto de partida para a demolição nacional. Nos quatro últimos, os marechais neoliberais valeram-se da caneta de seu fantoche em duas direções aparentemente opostas, porém afins e complementares na essência. A primeira vertente foi sancionar e regulamentar o maior pacote de benefícios em causa própria jamais vistos. Nem a ditadura de 64 teve tamanho despudor e cara de pau. Nossos ínclitos marchais colocaram em prática o princípio do meu pirão primeiro. E em segundo e em terceiro. A segunda, após garantir a si a ampliação da rede de proteção específica que lhes beneficiava, foi mutilar toda a rede de proteção social de suporte ao restante da população. A destruição somente não fo...

2023 Parte II – O Terreno Armadilhado (por Frega Jr)

Estamos emergindo de um período de governo ideologicamente afim ao neoliberalismo arcaico, de trinta anos atrás, executado por militares utilizando a caneta de um fantoche miliciano e com uma compra parlamentar nunca vista em toda nossa história, que nunca foi dignificante nesse particular. São cores escuras as das nuvens que vemos no horizonte. Esse projeto liquidou toda a rede de proteção social construída e ainda em construção, contestou valores até então consagrados de civilidade, malbaratou riquezas nacionais, trouxe à tona o reacionarismo latente pré-abolição, conjugado com o herdado das correntes migratórias europeias que não chegaram a sofrer os impactos pelos efeitos do nazifascismo, como ocorreu na Europa. Nabuco afirmou que a escravidão permaneceria por muito tempo como a característica nacional do Brasil. Foram palavras proféticas. Mudou a roupagem da escravidão, modernizou-se, porém vive em segmentos reacionários dispostos a se impor por látegos e chicotes, fuzis e cara...

2023 Parte I – O Recomeço (por Frega Jr)

  Falta pouco, menos de duas semanas e começa a se formar uma onda que pode trazer  a decisão para o 1 o  turno, liquidar a fatura, enterrar precocemente movimentos golpistas e sectários, retornar a alguma normalidade no caminho da consolidação democrática. Não é fácil, afinal foram quatro anos de ataques constantes, às instituições, às pessoas, à divergência e diversidade, num processo iniciado há oito com o golpe político-judicial-militar de 2016. Ainda que não poucas vezes os dardos as tenham atingido, fazendo-as cambalear pela força do impacto, elas resistiram. Mostraram-se uma rede de proteção razoavelmente confiável, ainda que as Forças Armadas não tenham entendido ainda completamente seu papel num Estado Democrático de Direito. Sério, o Brasil emerge muito pior do que o Brasil que enveredou por essa aventura. Talvez, só talvez, esses quatro anos de desmandos e agressões tenham sido o estertor de um século e meio de instabilidades, a prova final. A incorporação ...

Juízo!!! (por Roberto Garcia)

Nestas vésperas de eleição, quando está faltando tão pouco, para um resultado que pode nos livrar do Jair Messias, tem ainda muita gente com dúvida cruel. Percebem que o atual governo é ruim, querem se livrar dele. Ainda estão agarrados aos seus candidatos, que julgam melhores, os mais perfeitos. Como não são cegos, eles também veem as pesquisas. Não gostam delas. Detestam. Desconfiam, acham que tem fraude, ou que pode haver uma virada de última hora, que os coloque no topo. Não é fácil para eles essa situação. Os que estamos de fora, muitas vezes percebemos a angústia. Mas já decidimos pelo que está na liderança. Mesmo admitindo que ele não é perfeito, decidimos que ele é a melhor alternativa. É ele ou o caos. Mas olhamos os outros eleitores que ainda se debatem. Que não se conformam com alguém que já fez erros, deu muitas mancadas, permitiu, vendo ou sem ver, que as elites deste país continuassem abusando, como fazem desde o começo, lá atrás. Muitas das reclamações são justas. É ness...

Das Raposas e Galinheiros (por Roberto Garcia)

Ninguém, que olhasse a sério, fosse pesquisar por meia hora, tinha ilusão sobre Bolsonaro. Era ladrão de galinhas, nomeava a dona de banquinha de praia como assessora, cobrava num mês gasolina que daria para dar volta ao mundo, gastava o auxílio moradia -- como ele confessou, sem vergonha -- “para comer gente”. Nomeava assessores que não iam ao trabalho, e tirava uma parte boa do salário deles pra comprar imóveis, com dinheiro vivo. Os filhos, que viraram políticos, foram educados a fazer o mesmo. Tinha contatos com a ultra direita estrangeira, que tinha sobrado do nazismo e do fascismo. Quando fazia alguma coisa -- momentos raros de uma carreira de dezenas de anos -- era discurso defendendo policial bandido, ou bandido mesmo. Juntava-se de vez em quando com pastor picareta e aí falava em Jesus, cristianismo, e metia o pau em corrupto, sem ficar vermelho. Trocou de partido, passou por quase todos os que vendem mandato pra quem der mais. Só um conjunto de circunstâncias infelizes d...

Dança das Cadeiras (por Roberto Garcia)

A dança dos bilionários tem par novo. Caiu o Bezos, da Amazon. Pobrezinho, o valor das ações da empresa dele encurtou 26 por cento neste ano. É que o mundo da tecnologia despencou. Nesta semana, caíram um pouquinho mais. Agora ele tem 19 milhões de dólares menos do que o novo segundo mais rico do mundo. Um indiano de bigodinho chamado Gautam Adani, que começou o ano em décimo quarto lugar mas se enriqueceu muito depressa nestes últimos nove meses, agora tem 146 bilhões de dólares. Ele só está atrás do sul-africano Elon Musk, o maconheiro que tem 263 bilhões. Isso é um fenômeno novo na Índia. A Adani Enterprises subiu mil por cento. Olhe só a velocidade: Em fevereiro, Adani passou na frente do Mukesh Ambani, que era o homem mais rico da Ásia, disparou na Frente do Bill Gates, da Microsoft e continua avançando. O novo multibilionário tem 60 anos, abandonou a faculdade logo cedo e foi tentar a vida no comércio de diamantes, passou para o carvão, portos, aeroportos, centros de dados e cime...

Biotecnologia - A Nova Fronteira

Desta vez, é a biotecnologia. Joe Biden percebeu que os chineses ganharam terreno, estão na frente. Esse setor em que os Estados Unidos dominaram por muito tempo é outro campo da disputa entre as grandes potências. Dias atrás, foram os chips, os microprocessadores, os cérebros de todos os dispositivos que fazem a sociedade moderna funcionar, de celular, computador, automóveis elétricos, grandes aparelhos e pequenos também. O Bell Labs criou os chips, no século passado. O programa espacial americano forçou seu desenvolvimento mais rápido. Precisavam ser minúsculos, mas exercer muitas funções, controlar os satélites que abriam os olhos da humanidade para um espaço muito maior, fascinante. O prestígio da nação dependia desses dispositivos. Tinham que funcionar perfeitamente. Se os Estados Unidos lideravam essa tecnologia, nem sempre os cientistas e técnicos eram americanos. Vinham de todo o mundo mas ajudavam a aumentar o prestígio estadunidense. Aos poucos outros países, principalmente ...